quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ocupação da Cidade II EU QUERO VER E SENTIR O GUAÍBA

Autores que muito tem nos provocado no campo da ecologia, da promoção do ambiente, do desenvolvimento humano de um ponto de vista pouco convencional tem sido Félix Guattari e Gilles Deleuze. Sem desejar tratar de teoria, mas lembrando somente deles, ao ser incomodada por essas questões ambientais que vem perturbar o modo como a cidade vai passar a se relacionar com o Guaíba é que seus nomes vem à tona. Guattari e Deleuze vem trazer a idéia tanto de uma ecologia que se atravessa entre todas as ações do homem, não estando somente centrada no ambiente da flora, fauna, ou físico exclusivamente. Essa, uma visão empobrecida de ambiente. Ambiente tb é o modo como desejam nos colocar de costas para o que há de mais bonito nesta Cidade, quando o discurso se apresenta em voltar-se para esse Guaíba. Quem realmente se volta para o Guaíba? Como? Olhar através dos espigões de concretos? Como? Quem terá acesso? Como se terá acesso? Quando se terá acesso? Nos fins de semana, de passe livre????
Por outro lado, se tem consciência, como se a consciência resolvesse algo(!!!)do ponto de vista teórico e prático, além de moral e ético, que esta atitude é corajosa, pois enfrenta um questionamento que merece ser feito à Cidade e incluido em seu Plano Diretor. O que a Cidade deseja de sua Orla? O que prevê para seu Guaíba, seja o mesmo um rio, um lago. Para alguns, um idílico e, talvez viável, Porto Madero; para outros, um rentável porto; para outros, um bucólico espaço de ir e vir, nada mais; e, ainda, para alguns, um deixa estar para ver como fica. Alguns se dispuseram a olhar e pensar. É louvável! Não o é, entretanto, a tomada de decisão, sem a participação qualificada e substantiva. É isso que me afeta e me faz voltar a dizer: EU QUERO PODER VER E SENTIR O GUAÍBA!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ocupação da Cidade I O Cais, EU QUERO VER O GUAÍBA

Porto Alegre se prepara para receber uma Copa do Mundo em 2014. Como tal, a Cidade sente-se comprometida, feliz, alegre, e, inclusive, orgulhosa por ter sido uma das urbes selecionadas para sediar evento desse porte, que receberá milhares de pessoas e necessitará de uma infra-estrutura também de porte, além de um desenvolvimento de base que lhe dê sustentação. E é exatamente pensando nesse colchão de ar que representa o que há de passado, como potência, de presente e de condicões, espremido nas teias, arames, telas, redes, plumas e fios que compõem a urdidura desse chão é que nos propomos a desenhar e escrever esse futuro. Nesse futuro inscreve-se um presente que nos olha, do Cais da Mauá, e se entristece, com esse Muro, nada a ver, ou pouco a ver com a POA de hoje, mas que nos interroga se, ao retirá-lo, vamos estender muros de 30 a 100 metros de volumetria, ou que nome estilístico venha a ter, para ver o quê? Seja para o uso que for!
Se está previsto que a revitalização tenha um sentido cultural e de lazer, além do econômico e turístico, é correto questionar se é o que os cidadãos da Cidades e aos jovens e crianças da mesma merecem ver como imagem da cidade? Um paredão de edifícios, tão ao mais inóspitos que o atual Muro? Para a Cidade, enquanto política pública, de amplo uso coletivo, salvo melhor juízo, tenho sérias, sérias dúvidas de que possam vir a se converter! Como professora, estou aberta ao diálogo, assim como, creio, nossos alunos e pais, se convidados!

sábado, 26 de setembro de 2009

Limites e Fronteiras II

Desdobramentos do cenário entre a professora e o aluno que extravasam os limites das ações e ponderações entre esses atores. Multiplicam-se e espalham-se pela sociedade como regimes de verdade acerca da moralidade e da ética. Nesse marco, foram encenadas diferentes pactuações e enfrentamentos, alguns deles dirigindo-se para um lado, o do professor, como categoria, ou do aluno, aqui independente do gênero; outras, ainda, formando um entre-meio, um intermezzo entre os dois. E, realmente, não houve e houve exageros, assim como desvios em todos os lados. Entretanto, se poderia dizer, buscando julgar, como o fizeram a equipe supra Secretaria de Estado, que de menor infração, pois sem intenção, foi o do professor. Isso no campo da comunidade moral, do desenvolvimento da moralidade, prenúncio do desenvolvimento de princípios éticos. Ocorre que esse mesmo grupo, reunido optou por punir o aluno.

Ai, de novo, vem a marca da sociedade disciplinar. Pesa sempre sobre o mais fraco! Daí as pichações e outras manifestações em conflito com a ordem dada e imposta. Por que não propor algo aos dois? Por que somente a um? Porque não tratar igual , propiciando atenção diferenciada aos diferentes de modo diferenciado?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Limites e fronteiras

Modo de viver e entender acerca de reclamação de pais, por ocorrência de destrato entre professora e aluno que, após um movimento coletivo de limpeza e pintura de uma escola, "pichou" parede da mesma, tendo a referida professora feito referências ofensivas ao aluno. Há em tudo isso pontos de vista e perspectivas que devem ser ouvidas: há um lado adolescente há ser respeitado, mas há também, um viés adolescente que, ao mesmo tempo em que grita por liberdade, clama por limites; limites que lhe sejam mostrados, experimentados com respeito, com inteligência, com maturidade, com igualdade, com respeito à regras, com construção de regras, base de uma sociedade democrática e de uma comunidade moral e ética. Não uma comunidade moralista! Há um lado professor, tb nesse adolescente, que deseja ditar regras, novas regras, transpor limites, quebrar fronteiras. Ai o papel do professor. Caminhar com ele por essas e outras veredas, sabendo que há um fio de navalha entre a liberação extrema, o laissez-faire; o impedimento absoluto, o nada pode, que se esconde ou num falso moralismo, ou num suposto neoliberalismo ou, ainda, numa (falsa!)liberdade totalmente vigiada (a nossa famosa sociedade de controle ou sociedade disciplinar). Nada disso desejamos.
Não conheço a professora! Não ouvi o documento a que se refere o impresso, que, este, li, sim! Mas, do que li, posso deduzir, salvo melhor juízo, que a referida professora, - e não estou aqui fazendo jogo de corporação, pois quem me conhece sabe que não faço essa cena, - buscou desenvolver um exercício de limites e fronteiras. Nada mais que um exercício amoroso - mesmo que com excessos em ambos os lados - até de desenvolvimento moral, de onde podemos pichar, no caso, grafitar ou não e, aí, sim fazer arte e não ofender ao patrimônio, à lei, à ética, a si mesmo e ao outro.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Que a Primavera traga flores, cores não só à flora


Que a estação iniciada com as florações dos ipês roxo, amarelo, dos vôos enamorados dos pássaros como um crédito no presente e no futuro, traga também a possibilidade de continuidade e de fortalecimento das condições de dignidade e de direito, assim como de universalização de direitos sociais de nossas crianças, adolescentes, mulheres, homens e todos aqueles que sofrem processo de exclusão. E isso em nosso país, é "quase chover no molhado", uma vez que esses processos tem uma história longa e um movimento tímido de recuo. Movimentos sociais há; ganhos públicos há e muitos! No entanto, o caminho a percorrer é longo. Nesses, lutemos, juntos! Mas as veredas estão abertas!
Há veredas e há locais em que há grandes avenidas, inclusive, asfaltadas, com bom asfalto, pois bons programas sociais, com políticas públicas se consolidam e dão força à Primavera, colorindo cada um de nós. Aproveitemos!