quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Muito se discute acerca da ética, da cidadania...

Este é um dos muitos temas a problematizar: em que medida e como questões como ética, cidadania transformam-se em bordão, em consigna de muita gente, muito partido político quando, em verdade, mesmo sem ter noção que se está colocando à nossa frente e na frente de todos mais expressões e palavras vazias de sentido. No caso da ética, assim como da cidadania, podem ser mais um "chamariz", figuras de retórica, vazia na plenitude de ocupar espaços para que não percebamos o quanto de vazio ético, (sem moralismos e julgamentos transcendentais)é vivida a vida muitas vezes inumana de cada um. Assim, elegem-se palavras e expressões que, à primeira vista "enchem os olhos, embora não o estômago, mesmo do coração" quando fora dessas falas jogada ao vento, ausente da própria pessoa, as experimentações e ações voltam-se não à uma estética social da existência, não à inserção prática da vida na vida de um modo forte e assumindo o humano . Trabalham, em verdade, em prol de um "humano" para poucos e de uma gestação de ações inumanas para produzir os sem-direito, ou aqueles com direito a "ficar feliz pela gota de não-direito que recebe a cada dia!!!!"

domingo, 15 de novembro de 2009

Violência na escola, na vida, Violência nas mentes, corpos e corações II

Quando trabalhamos essa violência que nos habita e que mora em nós e que se expressa no cotidiano de cada um de nossas vidas em nossas relações, em nosso modo de ser, em nosso modo de não ser, de não dizer, de não se expressar, de muitas vezes deixar passar, de não se envolver. E aí nos vemos envolvidos, engolfados em um mar e morremos submergindo, sufocando, naufragando nas nãoexpressões que exprimimos. Esse é o caso das violências vividas por exemplo com a rede municipal de porto alegre. Uma rede forte, mas uma rede que, de um certo modo, está observando(!!!) os modos fascistas de desfazimento dos processos de autogestão das ações dessa mesma rede. E isso é inadmissível. É um dos maiores exercícios de violência. Com conivência de quem; nâo sei! Mas a violência ai está! O desvio dos recuros e da liberdade aí estão! A perda da liberdade e da cidadania ai estão! No que vão gerar? Os fascismos sempre operaram reacões de toda ordem!!! Esperemos que esses tb!!!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Violência na escola, na vida, Violência nas mentes, corpos e corações

A violência está em nós! Está em nossas mentes, corações. Está no corpo e no corpo se exerce, habita-o e dele exala e transborda, seja para punir, julgar, administrar, excluir, rechaçar, sempre com intuito de melhor cuidar da sociedade, das pessoas, do meio, da moral, da estética.
Talvez o caso mais gritante que estejamos vivendo na carne seja o da estudante, mulher, não de classe socieconomicamente abastada, expulsa de uma universidade por usar uma indumentária(vestido curto!!!!) indevida e, ao que tudo indica e em torno dela se exercem todas essas avaliações e juízos. Inclusive, com a noção velha, "que a pessoa havia sido advertida". Quantos casos devem ter ocorrido e quantos passaram por essa advertência? Mesmo que isso houvesse ocorrido, e não deveria(!!!), não pode ter espaço numa sociedade que se diz democrática ou que constroi, com orgulho, a sua democracia. Isso é fascismo, nazismo mesmo!!!
A expulsão da aluna de Universidade paulista, em campi do interior evidencia, sim, um racismo de estado, como nos acudia Foucault. Martelando sob uma questão de gênero, quiça com outros ajuizamentos, que me assustam pensar em um caso concreto. Mas, o fato está na expulsão, na exclusão vitoriana, pseudo moral, de uma aluna, por motivos pífios, segundo declaração da instituição aos meios de comunicação. Urge não só um movimento; urgem ações que provoquem um BASTA!!! nessas discriminações, seja de gênero, de origem, não interessa. Uma Lei "Afonso Arinos" ou uma "Maria de Penha", adequada ao caso!!!O que pode e devem fazer órgãos, como o MEC, nesse caso? É um espaço educativo!
Chega de perseguições!!!Chega de fascismos! Esse fascismo que se institui em cada um de nós e faz criar essas situações-monstrengas, na falta de melhor descrição!!!
Marilú Medeiros

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A violência na escola, na sociedade, na vida, em-nós II

Vivemos intensos e sofridas experimentações que nos habitam, nos consomem, nos comem, nos matam e que estão presente tanto no uso das drogas, como no uso ou des(uso) de ações com relação a esses mesmos problemas. E isso vivemos na pele não mais nas periferias de nossas cidades. Elas estão em toda a cidade. Atacam e se colocam insidiosamente em todas as camadas sociais. No entanto, essa mesma violência é mais gritante nos grupamentos de classes desprovidos de condições materiais e socioeconômicas para fazer uso de sua potência e de seus direitos humanos e sociais. Nesses a violência simbólica é menor e o uso da violência física se faz mais presente, sob a égide de uma melhor justiça. Um tribunal. Tribunal não materializado em outras instâncias e camadas. Como dizem Nietzsche e Deleuze, " o homem só apela para o juízo, só é julgável e só julga quando sua existência está submetida a uma dívida infinita", daí o poder; daí o julgamento em termos de valores superiores; daí a violência. Os corpos estão assim marcados. É disso que falamos e é nisso que lutamos.
Não adianta partir para coibir a violência se não mudarmos a lógica que nos representa e nos guia; a paisagem que nos orienta, pois ela nos condena de antemão, assim como condena aqueles a quem estamos, supostamente, desejando, "salvar". Tal como um deserto, se deixar preencher, entender, ocupar com as forças e relações existentes.
Importa, então, "fazer existir", propor, jogar, jogar o jogo, entrar no combate com os combatentes, ouvir os combatentes como um modo de existência, sem julgamento, sem juízos superiores(!), como uma força vital, acreditando na potência e na força do outro, na força de si, dos que sofrem a violência na cotidianidade, trazendo o que nos convém e o que não nos convém, como forças, como combates, de bons combates a serem travados na busca das paixões alegres. Sabedores que há, no caminho paixões tristes as serem vencidas!!! Juntos! Sem julgamento! Com organização! Sem hierarquia!
Talvez esteja aí o segredo!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A violência na escola, na sociedade, na vida, em-nós

Reiteradamente e de modo iterativo a sociedade investe sobre um tema que a afeta. E nada disso é irreal, falso, superdimensionado, disciplinador ou controlador na perspectiva de quem os propõe ou imagina ser a melhor ação a ser empreendida. Isso ocorre, tualmente, em relação à violência nas escolas, com suas repercussões e modos de afetar, de fazer funcionar - ou não - a máquina de cada um e de todos. Isso já se constitui num "fazer funcionar", fazer acontecer, soltar o verbo, mesmo que não na direção que desejamos.
E é aí que reside uma das radicalidades que vem provocando a satisfação de alguns, a ira de outros, a indiferença de outros, a imersão intensa de muitos. E tenho uma reação irada, muitas vezes, não argumentando devidamente, pois nos vemos enroladas no mesmo novelo. O entendimento, o conceito dessa violência, por exemplo, é maior e, ao mesmo tempo, menor que a violência insidiosa presente nas escolas, na família e, mesmo, na sociedade. Ela está em-nós mesmos. É nesse poço que precisamos trabalhar, não do ponto de vista psicanalítico, mas da ordem de práticas, práticas imanentes à nossa vida, vida essa vivida na sua zonealidade, na sua regionalidade, mas de olho no mundo: um olho no umbigo e outro no céu e no mar, para bem além de si mesmo, de seu próprio intestino. Temos, então, a chance de poder imaginar e ver emergir , preventiva e criativamente, a potência de cada um e de todos. Sem culpados a julgar; sem julgamentos. Como diz uma ONG do Comitê da Solidariedade: "Levante-se e faça!!!"

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ocupação da Cidade III Eu Quero Ver e Sentir o Guaíba!



Quando dizemos pensar, ver e sentir o Guaíba, estamos nos referindo à uma multiplicidade de sensações que passam por nós, que nos percorrem, nos habitam, desde que nos entendemos como parte dessa Cidade. Quando pensamos na Cidade, POA, o fazemos de um ponto de vista que se insere como um corpo, um só corpo e, como tal, não nos vemos separados . É nessa integração, como algo que está junto, não como uma massa que a tudo aceita, mas como um ente aberto à transformação, à transmutação, desde que essa mutação não nos separe de nós mesmos. Enfim, que nos permita chegarmos a ser o cada um é. No seu melhor de si. É isso que Porto Alegre almeja! Que os alegrenses desejam! E que se respeite as partes de si. O lago/rio é uma parte de si, uma parte dessa Cidade. Não nos isolemos dela, seja em nome de uma Copa, de um Progresso, de uma suposta benfeitoria social. Benefícios sociais e políticas públicas são sempre muito bem recebidas. Só não podem ser autocraticamente determinadas ou pseudodemocraticamente propostas. Há que explorar a real participação, não só a possível! Não só a desejada!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ocupação da Cidade II EU QUERO VER E SENTIR O GUAÍBA

Autores que muito tem nos provocado no campo da ecologia, da promoção do ambiente, do desenvolvimento humano de um ponto de vista pouco convencional tem sido Félix Guattari e Gilles Deleuze. Sem desejar tratar de teoria, mas lembrando somente deles, ao ser incomodada por essas questões ambientais que vem perturbar o modo como a cidade vai passar a se relacionar com o Guaíba é que seus nomes vem à tona. Guattari e Deleuze vem trazer a idéia tanto de uma ecologia que se atravessa entre todas as ações do homem, não estando somente centrada no ambiente da flora, fauna, ou físico exclusivamente. Essa, uma visão empobrecida de ambiente. Ambiente tb é o modo como desejam nos colocar de costas para o que há de mais bonito nesta Cidade, quando o discurso se apresenta em voltar-se para esse Guaíba. Quem realmente se volta para o Guaíba? Como? Olhar através dos espigões de concretos? Como? Quem terá acesso? Como se terá acesso? Quando se terá acesso? Nos fins de semana, de passe livre????
Por outro lado, se tem consciência, como se a consciência resolvesse algo(!!!)do ponto de vista teórico e prático, além de moral e ético, que esta atitude é corajosa, pois enfrenta um questionamento que merece ser feito à Cidade e incluido em seu Plano Diretor. O que a Cidade deseja de sua Orla? O que prevê para seu Guaíba, seja o mesmo um rio, um lago. Para alguns, um idílico e, talvez viável, Porto Madero; para outros, um rentável porto; para outros, um bucólico espaço de ir e vir, nada mais; e, ainda, para alguns, um deixa estar para ver como fica. Alguns se dispuseram a olhar e pensar. É louvável! Não o é, entretanto, a tomada de decisão, sem a participação qualificada e substantiva. É isso que me afeta e me faz voltar a dizer: EU QUERO PODER VER E SENTIR O GUAÍBA!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ocupação da Cidade I O Cais, EU QUERO VER O GUAÍBA

Porto Alegre se prepara para receber uma Copa do Mundo em 2014. Como tal, a Cidade sente-se comprometida, feliz, alegre, e, inclusive, orgulhosa por ter sido uma das urbes selecionadas para sediar evento desse porte, que receberá milhares de pessoas e necessitará de uma infra-estrutura também de porte, além de um desenvolvimento de base que lhe dê sustentação. E é exatamente pensando nesse colchão de ar que representa o que há de passado, como potência, de presente e de condicões, espremido nas teias, arames, telas, redes, plumas e fios que compõem a urdidura desse chão é que nos propomos a desenhar e escrever esse futuro. Nesse futuro inscreve-se um presente que nos olha, do Cais da Mauá, e se entristece, com esse Muro, nada a ver, ou pouco a ver com a POA de hoje, mas que nos interroga se, ao retirá-lo, vamos estender muros de 30 a 100 metros de volumetria, ou que nome estilístico venha a ter, para ver o quê? Seja para o uso que for!
Se está previsto que a revitalização tenha um sentido cultural e de lazer, além do econômico e turístico, é correto questionar se é o que os cidadãos da Cidades e aos jovens e crianças da mesma merecem ver como imagem da cidade? Um paredão de edifícios, tão ao mais inóspitos que o atual Muro? Para a Cidade, enquanto política pública, de amplo uso coletivo, salvo melhor juízo, tenho sérias, sérias dúvidas de que possam vir a se converter! Como professora, estou aberta ao diálogo, assim como, creio, nossos alunos e pais, se convidados!

sábado, 26 de setembro de 2009

Limites e Fronteiras II

Desdobramentos do cenário entre a professora e o aluno que extravasam os limites das ações e ponderações entre esses atores. Multiplicam-se e espalham-se pela sociedade como regimes de verdade acerca da moralidade e da ética. Nesse marco, foram encenadas diferentes pactuações e enfrentamentos, alguns deles dirigindo-se para um lado, o do professor, como categoria, ou do aluno, aqui independente do gênero; outras, ainda, formando um entre-meio, um intermezzo entre os dois. E, realmente, não houve e houve exageros, assim como desvios em todos os lados. Entretanto, se poderia dizer, buscando julgar, como o fizeram a equipe supra Secretaria de Estado, que de menor infração, pois sem intenção, foi o do professor. Isso no campo da comunidade moral, do desenvolvimento da moralidade, prenúncio do desenvolvimento de princípios éticos. Ocorre que esse mesmo grupo, reunido optou por punir o aluno.

Ai, de novo, vem a marca da sociedade disciplinar. Pesa sempre sobre o mais fraco! Daí as pichações e outras manifestações em conflito com a ordem dada e imposta. Por que não propor algo aos dois? Por que somente a um? Porque não tratar igual , propiciando atenção diferenciada aos diferentes de modo diferenciado?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Limites e fronteiras

Modo de viver e entender acerca de reclamação de pais, por ocorrência de destrato entre professora e aluno que, após um movimento coletivo de limpeza e pintura de uma escola, "pichou" parede da mesma, tendo a referida professora feito referências ofensivas ao aluno. Há em tudo isso pontos de vista e perspectivas que devem ser ouvidas: há um lado adolescente há ser respeitado, mas há também, um viés adolescente que, ao mesmo tempo em que grita por liberdade, clama por limites; limites que lhe sejam mostrados, experimentados com respeito, com inteligência, com maturidade, com igualdade, com respeito à regras, com construção de regras, base de uma sociedade democrática e de uma comunidade moral e ética. Não uma comunidade moralista! Há um lado professor, tb nesse adolescente, que deseja ditar regras, novas regras, transpor limites, quebrar fronteiras. Ai o papel do professor. Caminhar com ele por essas e outras veredas, sabendo que há um fio de navalha entre a liberação extrema, o laissez-faire; o impedimento absoluto, o nada pode, que se esconde ou num falso moralismo, ou num suposto neoliberalismo ou, ainda, numa (falsa!)liberdade totalmente vigiada (a nossa famosa sociedade de controle ou sociedade disciplinar). Nada disso desejamos.
Não conheço a professora! Não ouvi o documento a que se refere o impresso, que, este, li, sim! Mas, do que li, posso deduzir, salvo melhor juízo, que a referida professora, - e não estou aqui fazendo jogo de corporação, pois quem me conhece sabe que não faço essa cena, - buscou desenvolver um exercício de limites e fronteiras. Nada mais que um exercício amoroso - mesmo que com excessos em ambos os lados - até de desenvolvimento moral, de onde podemos pichar, no caso, grafitar ou não e, aí, sim fazer arte e não ofender ao patrimônio, à lei, à ética, a si mesmo e ao outro.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Que a Primavera traga flores, cores não só à flora


Que a estação iniciada com as florações dos ipês roxo, amarelo, dos vôos enamorados dos pássaros como um crédito no presente e no futuro, traga também a possibilidade de continuidade e de fortalecimento das condições de dignidade e de direito, assim como de universalização de direitos sociais de nossas crianças, adolescentes, mulheres, homens e todos aqueles que sofrem processo de exclusão. E isso em nosso país, é "quase chover no molhado", uma vez que esses processos tem uma história longa e um movimento tímido de recuo. Movimentos sociais há; ganhos públicos há e muitos! No entanto, o caminho a percorrer é longo. Nesses, lutemos, juntos! Mas as veredas estão abertas!
Há veredas e há locais em que há grandes avenidas, inclusive, asfaltadas, com bom asfalto, pois bons programas sociais, com políticas públicas se consolidam e dão força à Primavera, colorindo cada um de nós. Aproveitemos!